ALBUM REVIEW | AKMU – Winter (2017)

Ignorando aquela máxima de que janeiro é um mês fraco para os lançamentos na Coreia do Sul, uma cambada de artistas e idols de lá estão, dia a dia, lançando bastante material inédito, de modo que essa primeira semana do ano foi mais movimentada que, vá lá, todo o mês passado – e eu até poderia me arriscar e colocar uns outros meses de 2016 nessa conta ai, pra ser honesto.

Dentre tantas canções, EPs e álbuns que saíram, um deles acabou não se destacando tanto assim aqui na fanbase brasileira. De minha parte, aqui está a resenha do Winter, segundo LP de inéditas do AKMU…

A minha relação com a carreira do AKMU acaba sendo um pouco divergente do que observo no tratamento do resto do público com a dupla. A recepção deles quando debutaram pela YG após participarem de um reality show foi estrondosamente alta, Porém, na época, Give Love, 200% e os demais singles escolhidos para divulgá-los não atraíram tanto a minha atenção, mesmo rolando uma influência brasuca nos arranjos instrumentais. Sei lá, talvez pelo momento, não sei, não me pegou.

Entretanto, quando eles retornaram ano passado com Re-Bye e How People Move, CATAPLOFT, virei fã do estilo mais “descontraidamente rebuscado” da dupla. Adorei os instrumentais mais trabalhados, mas que ainda soavam Pop e divertidos.

A questão é: fora esse um golpe de sorte ou, de fato, a versão coreana de Sandy & Junior é realmente boa como todos falam? Nada melhor que um novo álbum para tirar a prova…

O “Winter” já começa em alta com Live, uma boa ballad Pop recheada de influências oriundas do Soul e do R&B americano, com um refrão bem forte e uma aura melancólica na interpretação vocal de ambos que deixa todo o pacote final bem formidável. É bem algo que eu gostaria de ouvir vindo da Lee Hi em um futuro release – e como eles compartilham dos mesmos produtores, esse não é um sonho distante, na verdade.

O clima muda completamente já na segunda canção da tracklist, quando surge Reality, que facilmente poderia ingressar em alguma trilha sonora de longa-metragens animados da Disney, tamanhas são as influências à musicais e, vejam só, às sonoridades africanas e brasileiras presentes nela. Eu de verdade consigo imaginar Timão, Pumba e o Simba dançando pela floresta e caçando insetos ao som disso.

De início, eu havia achado Last Goodbye fraca e inespecífica demais para ser utilizada como lead single do comeback. Entretanto, inserida no contexto do álbum, por sua vibe e pela maneira como ela é montada sonoramente, é possível notar uma coerência sônica. A aura “Pop tocado ao redor da fogueira” se faz presente nos indícios de Folk e nos falsetes inseridos em momentos certos. Achei-a simpática e fofa, mas também achei-a longa demais para ser desfrutada isoladamente.

O nível volta a subir bastante em Play Ugly e Chocolady. A primeira brinca com as regras de formato da música, sendo explosiva nos versos, com uma pegada Funk bem visível, e ligeiramente minimalista do refrão. Já a outra, mas jazzística, elegante, grudenta e cheia de microelementos que fazem a diferença quando percebidos, tipo o tiquinho a mais de ar na voz que eles deixam escapar.

O minimalismo instrumental já citado se faz presente com ainda mais força em You Know Me, levada quase toda apenas com a voz dos dois sendo acompanhada por uns acordes de guitarras e estalos. Ao chegar no refrão, ela dá uma virada pro reggae bem legal de escutar.

Legal também é o arranjo mais calcado no Hip Hop ao qual somos levados a acreditar em Way Back Home, que, pouco a pouco, vai crescendo sonoramente até se enquadrar ao estilo do duo, com piano, violão e mais elementos em evidência.

A única canção de todo o álbum que não me agradou mesmo foi Will Last Forever, que é apenas mais uma baladinha levada no piano, água com açúcar demais, que piora ainda com uma mudança brusca de andamento no final e a entrada de um coral. Porém, é apenas um erro entre tantos acertos.

O gosto final que fica é o de que o AKMU realmente consegue atender às expectativas colocadas. O “Winter” como álbum entrega todo o estilo associado aos dois e isso é feito de maneira não repetitiva, com canções que, na maioria, funcionam tanto com conjunto, como isoladas.

Tomara que esse seja o prenúncio de que 2017 será um ano muito bom musicalmente para os atos da YG Entertainment.

Nota 8,0

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