Olivia Hye, ultima garota do mês do Loona, gosta de se amar sozinha em “Egoist”

Finalmente, a última garota do mês já está entre nós. E como o post ficou bem maior do que eu esperava, vou poupar vocês de introduções demasiadamente longas.

Confiram os meus pitacos sobre Egoist, da Olivia Hye

Olha, o que de mais sincero eu posso dizer sobre essa música, nesse momento, é que eu quero muito curtir, mas ainda não sei se gostei de verdade. Venham comigo que titio Lunei explica.

“Egoist” é uma faixa estranha. Se isso é bom ou ruim, depende do ponto de vista. Os sintetizadores retrôs mais soturnos são super impactantes, ajudando a criar em toda ela um clima que passeia entre o melancólico e o motivacional muito interessante para o que é proposto na letra. O refrão explosivo é lindíssimo, a interpretação vocal da Olivia, mais “melosa” (no bom sentido), casa legal nessa linha, sendo o timbre mais bonito do grupo desde o da Kim Lip ano passado. Caso toda ela seguisse uma estrutura musical ~padrão~, é bem provável que funcionasse comigo logo de cara.

No entanto, quando o primeiro refrão passa, ocorre um break que, particularmente, achei meio exagerado para o que estava sendo construído até então. Acaba sendo muito barulhento e dissonante. São 15 segundos dispensáveis de explosões sônicas que antecedem ainda outro instrumental mais diferenciado, porém bem mais contido, que serve de cama para os versos excelentes da Jinsoul (que aqui está ainda mais linda, gostosa, provocante e sensual que nos releases da era Odd Eye Circle).

Se de um lado podemos encarar isso como um defeito da canção, como algo mal costurado no pacote todo, tipo, vá lá,bridge de What’s Wrong?, do T-ara, numa outra interpretação, podemos comprar de fato a ideia de que “Egoist” era para ser estranha mesmo e que tal inserção contribui positivamente para isso, tipo Hot Pink, do EXID, se transformando numa balada por poucos segundos. Particularmente, em minha cabeça, ainda não decidi qual lado tomar nisso. Músicas assim demoram um pouco mais para amadurecerem em minha cabeça. Então, huh, é, não posso opinar se gostei ou não.

Diferente da b-side, “Rosy”, com GoWon e HeeJin se juntando à Olivia para uma farofinha House noventista, cujo estilo facilmente rende bons troços que me agradam quase de graça…

que hino

Dito isso, esperarei mais algum tempo antes de postar aquele prometido top com todos os solos das integrantes, do pior ao melhor. Preciso de mais uns dias antes de decidir se curti isso aqui, se detestei, se é ou não o tipo de som que dura comigo a longo prazo.

Passados os comentários mais sérios, hora da fanfic!!!1

Muito tem se falado dentro da fanbase sobre a Olivia representar no Loonaverso o que “Lúcifer” representa nas mitologias cristãs: um ser que quis mais do que lhe era permitido no paraíso, que quis romper com algum tipo de status quo dentro de seu universo limitado, desfrutar de prazeres proibidos, sendo expulso de lá por tal ganância.

Isso seria justificado em diferentes cenas no MV. Por exemplo, logo no início, quando ela acorda jogada num colchão cheio de penas após ser solta por uma mão:

Ou em momentos como esse a seguir, repetidos algumas vezes, em que ela tenta tocar a luz que vem do céu:

E no take mais comentado de todos, onde Jinsoul canta sobre uma ligação sem fim em frente a um letreiro que, segundo traduções no Twitter, já que eu não falo coreano, está escrito “anjo caído”.

Eu acho tudo isso bem bonito e interessante, mas honestamente, de uns tempos pra cá, tenho preferido ver essa construção narrativa toda feita nos videoclipes do Loona como algo mais metafórico, trabalhando melhor através de subtextos e não tão na literalidade.

Nota: pros desavisados, eu costumo ser um pouco escrachado e gráfico em meus textos, embora nunca chegue a bolar troços ofensivos de verdade. Então, leiam sem levar muito a sério.

Então, em minha fanfic teoria, vejo que “Egoist” utiliza esses ícones acima para falar sobre… Masturbação! Siririca, brincar de DJ, golden touch, tocar umazinha e por aí vai. Mas, claro, de uma maneira poética, criando uma ponte com descobrir o “amor próprio”, tipo essa belezinha aqui:

O grande lance genial com o Loona é, através dessa narrativa toda de Loonaverso, traçar um paralelo super interessante com as descobertas amorosas e sexuais femininas, além de avançar um pouco mais nisso e explicar a independência que as meninas precisam atingir na maturidade.

Não vou me aprofundar muito, pois não é tanto o direcionamento desse blog (na verdade, estou ansioso pelas interpretações finais da Tássia no E Aí Surgiu o K-Pop logo logo), mas é de conhecimento quase geral (parte da nova geração de fãs parece ignorar isso) que a Coreia do Sul é um lugar bem preocupante quanto às liberdades femininas. A Irene, do Red Velvet, diz estar lendo um livro sobre feminismo e é atacada online, qualquer imagem que grupos femininos tomem que não seja o mais próximo possível de uma idealidade pueril infantilizada é logo detonada. Então, é bacana que o “enredo” do Loona seja, justamente, abrir um furo nisso.

Lá atrás, na era 1/3, tivemos meninas retratadas como crianças e pré-adolescentes, levemente começando a se interessar pelo amor, mas com um certo medo, insegurança em se deixar levar. A melhor representação disso é esse MV da pirralha-bias idealizando diferentes rapazes como príncipes, mas morrendo de vergonha de dar seu primeiro beijo de verdade, vendo o provável candidato como… Um sapo:

é óbvio que eu daria um jeito de linkar “Kiss Later” aqui

HeeJin via seu mundo como uma fantasia em “ViViD”, HaSeul tentava achar a si mesma em “Let Me In”, ViVi é retratada como uma androide em “Love and Live”, aprendendo a se adequar à adolescência, pegar o que suas amigas fazem e tentar agir do mesmo modo e coisas do tipo…

Já na era Odd Eye Circle, a adolescência finalmente chega. Explosões de hormônios, aquele desprendimento “preso” de querer experimentar as coisas, mas ainda ligar demais para as opiniões alheias, por vezes exagerar em comportamentos de modo a chocar e facilitar essa transição. Até que, em dado momento, essa passagem ocorre organicamente.

Obvio que a representação mór disso é “Love Cherry Motion”, com Choerry abandonando seu passado infantil (HaSeul-linda-demais e pirralha) após “romper o talo”, passando a andar com as amigas mais velhas (Kim Lip e Jinsoul), que entendem o que aconteceu, compartilhando essa maturidade recém adquirida:

Por fim, vejo a unit final como aquele período pós-adolescência, onde a nossa dependência em cima da opinião alheia é proporcionalmente inversa aos anos que adquirimos. É aquele momento onde, de fato, entendemos o que somos, olhamos para trás e vemos como éramos e os caminhos que tomamos até chegar ali, e visamos o que queremos nos tornar depois.

Acima, Yves olha para sua fase androide, em que se via obrigada a absorver roboticamente o que faziam a seu redor para se adequar. Ela agora já superou esses momentos mais difíceis, de dúvidas, de insegurança, e consegue se imaginar ousando mais, experimentando outras coisas:

O que é maravilhosamente ilustrado primeiramente em “Heart Attack”, em que um tipo diferente de amor é cogitado, levando a Chuu a mergulhar de cabeça nessa ideia e SE DIVERTIR com essa possibilidade – mesmo que, ao fim, não dê em nada. E agora, em “Egoist”, com a Olivia entendendo que, para ser feliz, não precisa necessariamente estar junto com outra pessoa (menino, menina), pois ela pode “se amar” sozinha.

O que, visualmente, é lindamente mostrado no clipe, aproveitando para levantar uma crítica sobre essa independência feminina ser, vejam só, “demonizada”, com ela rompendo esse limite da “moralidade” (Como assim uma garota pode ter prazer sozinha? Algo errado e egoísta, né?) e sendo “expulsa” da inocência e do que é considerado correto nos padrões da sociedade, tal como Lúcifer foi banido do paraíso ao tentar atingir um lugar que não lhe era previamente planejado:

Ela vislumbra novas possibilidades…

“Se pega”

É solta pela garra que ainda a segurava no paraíso…

E agora se torna um anjo caído.

E isso tudo ganha um sabor ainda mais especial ao ser lançado numa sexta-feira santa. De verdade, parabéns aos envolvidos.

Agora, já temos as 12 integrantes do Loona com a cara no sol. Mês que vem rolará a já esperada pausa para colocarem as coisas no lugar, com o debut da unit final em maio. É bem provável que role um repackage no mês seguinte, depois, mais um mês de pausa. Dito isso, talvez o debut completo role lá por… Agosto? Acho que sim. Mal posso esperar.

O fim e o início se encontrando, fechando um ciclo

Enfim, esses posts sobre o Loona costumam atrair um público um pouco maior que o habitual aqui do blog. Então, se você chegou aqui por intermédio de algum link compartilhado em grupo, ou Twitter, não conhecendo o Esquadrão Lunático antes, saiba que todos os outros 11 solos já foram comentados do final de 2016 pra cá. Para conferir, é só clicar aqui nessa tag e todos aparecerão, incluindo também meus pitacos sobre as units, resenhas de álbum e aparições das músicas delas em postagens especais e em partes do top de melhores lançamentos coreanos do ano passado.

Mas vale ressaltar que algumas dessa opiniões, com ajuda do tempo, foram mudando. Por exemplo, eu tinha achado “Heart Attack”, da Chuu, bem qualquer coisa ao lançamento, mas agora já e um dos troços que mais venho escutando de dezembro para cá. Na real, os únicos releases delas que não me agradaram de verdade foram os solos da HyunJin e da GoWon, cujos títulos das faixas já nem lembro mais.

Só, por favor, não ajam como os fãs extremamente recatados que apareceram aqui quando disse que não queria um debut aegyo, pois o próprio conceito do Loona, num geral, vai justamente contra essas imposições conservadoras para cima de mulheres. Eu sei que muitos de vocês, super novinhos, acham que esses concepts infantilizados são como válvulas de escape contra o machismo, pois as meninas, ao se portarem inocentemente, estão salvas e não se dando ao desfrute de caras tarados, só que tal ideal não poderia estar mais distante da realidade. O buraco é muito mais em baixo, ok?

Cacete, que post grande. Vou ali comer mais bacalhau. Bjokas.

Anúncios

18 comentários em “Olivia Hye, ultima garota do mês do Loona, gosta de se amar sozinha em “Egoist”

  1. Inicialmente achei o break meio deslocado também, mas por algum motivo assim que eu ouvi somente o áudio ficou bem melhor???

    Entre todos os solos pra mim esse só perde pra Eclipse, mas de qualquer forma é muito empolgante ver que o projeto tem um potencial incrível.

    PS.: JinSoul puta que pariu que mulher wifjworhwown!!!!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Ótima resenha! Também tinha pensado na mensagem da masturbação, menos pela letra e mais pela Olivia literalmente dar uns pegas nela mesma no MV.

    Sobre a música, tive a mesma sensação que o Dorian: parece que o break e o rap ficam menos estranhos quando a gente ouve só o áudio, sem o MV (ainda ficam meio mal encaixados, mas a transição é um pouco menos brusca).

    Mas tem um ponto interessante que umas pessoas no fandom levantaram: no MV, é justamente quando o break começa que vemos Yves, Chuu e Go Won (elas aparecem por poucos segundos e de costas, uma de cada vez). No começo achava que era a própria Olivia de costas, mas a impressão se desfez quando notei que em um dos segundos, o cabelo da garota de costas é loiro…

    Curtido por 2 pessoas

  3. Só observo a sua esnobada em HyunJin, falando de todas do 1/3 menos dela…

    Sobre Olivinha: ela tá quase chutando a Eva do posto de bias da última unit. Acho que isso é o troco por ela ter tentado roubar o posto de utt do LOONA da Kim Lip no meu kokoro. Karma is a bitch

    Curtido por 1 pessoa

  4. Até hoje não acredito que vc ganhou fama de hater de Loona 😂 mas espero que agora depois da enaltecida na Olivia e da explicação quilométrica as pessoas entendam melhor. Amei a crítica aos defensores descabidos do aegyo também.

    Análise muito boa, isso da mulher ser demonizada quando atinge um lugar que não é esperado dela e a transcrição literal que fizeram! @.@ Incrível. Sexta-feira santa e lua cheia ainda por cima <3. É tanta informação que não dá nem pra processar tudo, só fico admirando mesmo.

    E obrigada por me linkar <3!

    Curtido por 1 pessoa

  5. “C*cete, que post grande”
    Nossa, isso foi claramente eu ao terminar de escrever o meu post da Olivia, ai ai
    Só que aqui não tem bacalhau, então vou comer meu frango mesmo

    E falando nisso vejam meu post, que deu muito trabalho e já foi ridicularizado por Loonaticos que se sentiram ofendidos pelo shade que eu fiz sobre o que falaram do post do Lunei
    E não aceitaram eu não ter amado o solo da Gowon e não gostar do Apink
    https://wp.me/p94q20-EP

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s