ALBUM REVIEW | (G)I-DLE – I am (2018)

Debuts interessantes no K-Pop, hoje em dia, são raros. Em termos de sonoridade, imagem e na história que os acts querem passar, são poucos os que têm fugido dos maneirismos habituais estipulados para solistas, boygroupsgirlgroups. Focando nesse terceiro, em especial, é notável uma preferência entre as empresas e gravadoras por adotarem um enredo infantilizado, adocicado, como forma de atingir os corações conservadores do coreano médio em prol de uma inocência laboratorial pouco permissiva para variações.

Então, é sempre uma surpresa quando alguém surge com bolas no mainstream para soltar no mundo um ato girlcrush, sem medo de soar agressivo e espantar o público. A Cube fez isso em janeiro do ano passado ao modificar o fofinho – e invisível – CLC no 7MINUTE que conhecemos hoje. Funcionou musicalmente, mas não comercialmente. A segunda tentativa surgiu semana passada na forma do (G)I-DLE, cujo lead single soou bem promissor e abriu margem para novas possibilidades dentro da marca.

Mas e o mini-álbum que o acompanha, será que presta? Confiram aí meus humildes pitacos sobre o I am

File:(G)I-DLE - I Am.jpg

Já adianto que, sim, ele presta. Temos aqui um EP cujas canções são bem coerentes dentro do leque de opções prioritárias quando pensamos num grupo girlcrush. Quase todas pegam influências ocidentais bastante contemporâneas, fazendo com que a diferença entre o que é lançado por aqui e no oriente tenha como única barreira o idioma. E embora nenhuma nele seja particularmente original (consigo imaginar tudo na voz de diferentes grupos), não é como se, no K-Pop, esse fosse um problema de verdade, convenhamos.

LATATA, usada como title, por exemplo, tá em linha com todos os dancehalls exaustivamente lançados nos últimos três anos. Poderia ter sido feita pelo KARD, pelo BTS, até mesmo pelo CLC sem qualquer modificação. Mas funciona, além de ganhar ares de frescor pelo espaçamento da modinha.

Gosto bastante da divisão de vozes (com ponto alto nas duas minas de timbre nasal sanduichando a gatinha de voz grossa no pré-refrão), gosto da melodia, do uso de sintetizadores, do rap da Jimin-da-Cube, dos “latatas” dadaístas do refrão. Um belo bop e uma escolha certeira para debutar. Não chega a figurar entre as melhores coisas dessa primeira metade do ano, mas serve como um ponto de partida bem interessante para o grupo.

$$$ já está mais para o lado Red Velvet da força, naquilo de jogarem Pop e urban e Hip Hop e dance num liquidificador, apenas para que, ao fim, tudo soe coerente e divertido. É meio infantil, meio creepy, mas ao mesmo tempo agressivo. E tudo vai ficando melhor conforme os segundos passam e mais variações vão rolando.

Maze talvez seja a minha favorita ao lado da title, reciclando dessa vez aqueles amálgamas de dance com uns bounces de Hip Hop que ficaram bem populares através do repertório do Major Lazer. O refrão com elas repetindo que estão no labirinto do oppa lá enquanto explodem sintetizadores atrás é tão gostoso. Uma pena não ter rolado MV para acompanhar. Btw, a melodia lembra um pouco a de “Black Dress”, não?

Don’t text me já vai pelo caminho daquelas somas de R&B com house que uns artistas mais voltados ao alternativo lá na Coreia costumam adotar. Desce redondinho como número mais melancólico e sensual. Imagino que, com a coreografia certa, poderia ser um dos pontos altos. What’s in your house? também aposta em tal veia, mas optando por uma sonoridade disco setentista bem rica e imersiva.

Infelizmente, nem tudo são flores, visto Hear Me, que encerra o jogo, ser nada mais que uma baladinha fraca e inespecífica. Não há nada nela que a destaque a longo prazo. Dispensável, mas bem previsível dentro de minis coreanos.

O gosto que fica ao final é bem satisfatório. O “I am” funciona como um trabalho fechado, já que as canções conversam entre si ao adotar diferentes propostas populares ao mainstream internacional e coreano, além de ser um daqueles exemplares onde as faixas na tracklist funcionam independente dela, visto boa parte genuinamente soar como single.

É óbvio que isso não faz desse mini algo mudador de vidas, tampouco será um marco dentro do cenário. No entanto, para um debut, é interessante. Através dele, podemos fitar cada uma das várias possibilidades que o (G)I-DLE pode adotar daqui pra frente, mesmo que nenhuma delas seja inédita. Alguém está reclamando?

Nota 6,8

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7 comentários em “ALBUM REVIEW | (G)I-DLE – I am (2018)

  1. Tirando Don’t text me, eu não morri de amores de nenhuma do álbum, é aquele arroz com feijão, mas é aquele arroz com feijão temperado.
    Ps: É impressão minha ou não teve muitas músicas realmente boas lançadas esse ano? O pessoal precisa começar a trabalhar

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