ANIME REVIEW | B: The Beginning (2018)

Eu devo estar bem azarado nos últimos tempos, pois meu dedo está levemente podre para escolher animes desse ano já completos para serem maratonados. Isso que dá se basear em listas de melhores da temporada.

Confiram aí meus pitacos sobre o meia-bomba B: The Beginning

Bom, não ou tomar muito tempo com preâmbulos justificativos não. “B: The Beginning”, assim como o Violet Evergarden da semana passada, é outra daquelas animações que a embalagem acaba mascarando sua realidade ordinária num pacote mais “maduro” e “diferentão” que o arroz com feijão teen aceitável do dia a dia. A diferença é que, enquanto o desenho da mina que escreve cartas ao menos tinha um plot inusitado, o que aparece aqui já foi visto em outras trinta e poucas séries anos antes.

A história se passa no que parece ser um país europeu monárquico fictício, nos dias atuais, contando a investigação de um departamento policial nuns casos de assassinato/terrorismo. Em paralelo, é mostrado que o governo desenvolvia experimentações genéticas com criaturas místicas do passado para a produção de armas vivas, o que resultou em várias cobaias com superpoderes anos depois, que eventualmente estariam envolvidas em tais casos, juntando os dois núcleos por conta disso.

Nesse bolo, vários esteriótipos de animes do tipo aparecem: o policial mais velho, o mal humorado, a menina gatinha deslumbrada que enxerga a vida com positividade, a espertalhona dos computadores e, o pior e mais irritante arquétipo em todos, o outsider hiperinteligente que sempre pensa catorze passos na frente de todos, mas se comporta de maneira pouco sociável, mimada e caricata. Aah, e rola também um “anjo da morte” em certo momento. É, pois é.

Só que grande problema com “B: The Beginning” nem é essa repetição de clichês preguiçosos. Caso bem utilizados, num roteiro bacana e inventivo, eles poderiam ser o ouro dessa fórmula. Sim a total falta de surpresa na trama. Tudinho o que acontece conforme a história vai se desenvolvendo é de uma obviedade chatíssima, o que mata totalmente qualquer possibilidade de imersão no que deveria ser um mistério.

O personagem mais suspeito de ser o mandante em tudo aquilo é, huh, o personagem mandante em tudo aquilo. O personagem mais suspeito de ter algum tipo de ligação no passado com o núcleo de mutantes-místicos-armas-vivas é… O personagem que tem uma ligação com tal núcleo. A personagem que tem mais cara de ser a que, ao final, será colocada no papel de mocinha indefesa nas mãos do vilão é, adivinhem… A que acaba pagando de mocinha indefesa nas mãos do vilão.

Ainda assim, mesmo com todas essas obviedades, caso ocorressem passagens legais durante os episódios, que desenvolvessem bem os personagens e lhes presenteassem com momentos cativantes, o desenho teria valido a pena por tal caminho divertido. Só que nem isso acontece. Eu terminei de assistir a temporada anteontem (11) e quase nada de marcante surgiu em minha cabeça enquanto escrevia esse texto.

O único episódio bacaninha de verdade é um bem ao início, com a equipe de policiais indo em missão para um evento num prédio, onde ocorrem alguns segmentos que, de fato, prendem a atenção. Em especial, há uma perseguição envolvendo os já citados ~anjo da morte~, bootleg do L e uma das antagonistas usando um skate que é todinha bem divertida. Nesse ponto, há a impressão de que o anime irá numa crescente ótima, mas acontece o contrário, com o nível caindo episódio a episódio.

Nem os vilões se salvam. Embora apresentem um character design diferenciável, são todos inespecíficos em poderes e personalidades. E aí, entra aquilo que falei lá em cima sobre a embalagem mascarar tudo, fazendo com que pareça ser melhor que a realidade. Todos os personagens são bem diferentes em visuais um do outro, é tudo muito bem desenhado e feito (me senti assistindo um longa em vez de uma série), há bastante violência gráfica e outros trecos “adultos”. Mas todo o resto é tão fraco que some logo da cabeça.

Espero que essas experiências recentes sejam só fruto do meu azar e não um espelho do que, num geral, a temporada de janeiro representou. Desejem-me sorte para ir num que divirta essa semana.

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