13 músicas para comemorar os 20 anos de debut da Sheena Ringo

E aí que, no último dia 27, a Sheena Ringo completou 20 anos de carreira desde seu debut do mainstream. Por mais que eu, vez ou outra, tente sempre pontuar algum lançamento dela, além de colocá-la quase sempre em minhas listas de melhores do ano, é bem provável que a maioria de vocês não conheçam seu repertório ou sua história mais a fundo.

A Sheena é uma das minhas cantoras japonesas favoritas em todos os tempos. Eu adoro o fato dela jogar uma porção de referências num liquidificador e, ao fim, isso resultar em releases extremamente interessantes e genuinamente radiofônicos – mesmo que embebidos numa estranheza natural causada não só por seu timbre vocal bizarro, mas por pequenos ícones sonoros que ela faz questão de acrescentar como sua marca em quase tudo.

Pop, Dance, Rock, Blues, Jazz, Soul, Ska, Denpa, Enka, Bossa Nova, Samba… Não existem limites para suas invencionices. E nem para as embalagens que virão, visto ela sempre dar um jeito de ter seu nome na praça, como cantora, como vocalista de banda paralela, como compositora, produtora ou juntando e lançando covers reimaginados de si mesma.

Dito isso, em comemoração à data, resolvi listar aqui, em ordem de lançamento, as minhas 13 canções favoritas dela nessas duas décadas – sendo 10 como solista, 2 com o Tokyo Jihen e uma colaboração mais recente. Confiram…

Koufukuron (1998)

Seu debut. Adoro tudo envolvendo essa estreia, desde o Pop/Rock 90s até as piadas envolvendo seu nome (maçã, huh) e os rumores de que ela, supostamente, seria “lúcifer” por conta das cicatrizes em suas costas, que se assemelhariam as de um anjo após ter suas asas arrancadas. Aí a desgraçada vai e joga tudo isso num videoclipe apenas para chocar tudo e todos e faz sucesso.

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Kabukichou no Joou (1998)

Se a delicinha acima serviu para chamar a atenção do japonês médio, “Kabukichou no Joou” foi o follow-up perfeito, fincando de vez ela no imaginário popular e provavelmente se tornando sua canção assinatura até hoje. É uma das minhas favoritas.

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Koko de Kiss Shite (1999)

Essa daqui também é tão boa. Na verdade, todo esse ciclo do primeiro álbum é excelente, imbatível. Refrão enorme delicioso, versos fortíssimos, instrumental nirvanesco super bem utilizado.

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Honnou (1999)

Essa imagem dela vestida de enfermeira lésbica fetichista deve ser a mais icônica e facilmente associável à figura da Sheena Ringo como um todo. A música não fica muito atrás não, com a melodia do refrão sendo grudenta que nem chiclete no cabelo.

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Marunouchi Sadistic (1999)

E aqui está a minha faixa favorita do repertório da Sheena Ringo (e do J-Pop como um todo?), sendo, basicamente, um “Stevie Wonder meets asian pop“, ampliando o conceito ao extremo. Incrível como uma album track adquiriu um poder tão grande ao longo dos anos, sendo uma das favoritas dos fãs em shows – o que explica o clipe acima, compilando várias apresentações em anos diferentes.

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Gips (2000)

Nossa, isso aqui é tão lindo até hoje. Deve ser a balada mais bonita entre todas as ótimas lançadas por ela. Tocante, arrepiante. É uma OST de anime perfeita, mesmo nunca tendo sido usada com esse propósito.

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Tsumi to Batsu (2000)

Talvez a mais estranha dessa lista, mas não deixando em momento algum de ser palatável aos ouvidos. É a junção perfeita do lado alternativo da Sheena com o mais popular. Dramática, gutural, mas likeable.

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Brand New Civilization (2011)

Okay, rolou um salto de 11 anos aí, mas não quer dizer que eu não curta os lançamentos dela nesse meio tempo. No entanto, como quis reunir as favoritas, acabei prezando pelas que, efetivamente, mais escuto. Como eu disse no top 2011, há algo em “Brand New Civilization” que me desperta uma vontade imensa de sair pulando e fazendo aquelas dancinhas toscas que tiozinhos roqueiros que não sabem dançar de verdade fazem. É Tokyo Jihen emitindo uma energia absurda a cada nota tocada enquanto a Sheena Ringo canta como se estivesse debochando da minha cara, da sua cara, da cara de todos no clipe, no Japão, na Ásia, na porra do mundo todo!!11

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Moment of Youth (2012)

Uma das graças de acompanhar a Sheena Ringo como act é saber que, em algum momento, ela dará a louca e regravará uma música qualquer que ela compôs para outra pessoa, apenas porque sim, reeditando tudo e fazendo daquilo algo quase inédito. Ela já soltou dois álbuns inteirinhos com essas reinvenções, mas a minha favorita nisso é esse cover eletronicorgânico de “Moment of Youth”, que havia sido deixado como b-side para um single daquela pirralha creepy que fez a japonesinha assassina de “Kill Bill”. Ninguém deve resistir ao poder de um baladão.

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Netsuai Hakkakuchu (2013)

Em ainda outro desses projetos, em 2013, ela resolveu compilar alguns de seus duetos/participações em trabalhos dos outros, reunindo tudo num álbum e usando essa parceria com o Yasutaka Nakata como lead single. Engraçado que isso aqui é tão Nakata que não poderia ser mais Sheena ao se jogar tanto num estilo super diferente. Queria que a Kyary lançasse troços assim hoje em dia. Aliais, melhor videoclipe dela.

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Kamisama, Hotokesama (2015)

Lembram do que falei dela jogar num liquidificador uma porrada de elementos e, no final, isso dar certo? “Kamisama, Hotokesama” é o exemplo perfeito disso. Meio jazzy, meio rockish, meio folclórica, estupidamente Pop. O final exagerado é impagável.

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Nagaku Mijikai Matsuri (2015)

O que esperar de alguém de fora cantando aquele tipo de Samba/Jazz feito como trilha para representar o Brasil em filmes gringos onde o Rio de Janeiro, a Amazônia e a Bahia ficam um do lado do outro? E se, apenas pela sacanagem, esse alguém fosse lá e enfiasse vários efeitos eletrônicos na voz, de maneira exagerada e incômoda, para ela fique mais robótica que a de um Vocaloid? Bom, nisso aí, a Sheena Ringo conseguiu a minha faixa favorita de 2015. Essa “Nagaku Mijikai Matsuri” é tão empolgante que é quase impossível que o seu corpo fique indiferente enquanto ela começa a tocar. Ela inicia pequena, mas vai evoluindo até chegar no refrão, só para mudar de direção nos versos seguintes e partir prum batuque violento e, depois, voltar a explodir e, novamente, desacelerar numa Bossa Nova jazzística excelente que leva até um final épico. Duvidam? Confiram ela com o apoio visual desse vídeo, onde uma mina psicopata prende o namorado numa banheira, tortura ele e sai para dançar como se não houvesse amanhã. A vontade que dá é fazer tipo ela no final, se requebrando toda no meio do matagal.

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Nijikan Dake no Vacance (2016)

Encerrando com chave de ouro, um release que não é propriamente dela, sim uma colaboração com a Utada Hikaru no “Fantôme”, álbum dessa última lançado em 2016. “Nijikan Dake no Vacance” poderia ser só mais uma entre tantas ótimas dentro da tracklist do LP, mas ganha ainda mais poder com a participação da Sheena, ampliando os significados dispostos na letra. Foi o meu segundo J-Pop favorito de 2016 e me causa calafrios até hoje.

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Imagem relacionada

Enfim, espero que esse post sirva para que vocês conheçam um pouquinho sobre essa que é uma das minhas artistas favoritas da cena oriental. Toda a discografia da Sheena Ringo como solista e com o Tokyo Jihen foi disponibilizada mês passado no Spotify, então a facilidade para escutá-la agora é bem maior do que antes.

Caso queiram dar uma olhada nos álbuns, sugiro começar pelo Muzai Moratorium (1999) e pelo Shouso Strip (2002), são os dois mais legais, depois ouvirem o que mais saiu. E, claro, ouçam o mais recente, Adam to Eve no Ringo (2018), já citada compilação com vários artistas interpretando canções dela, incluindo Utada Hikaru, AI, LiSA e outros.

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4 comentários em “13 músicas para comemorar os 20 anos de debut da Sheena Ringo

  1. Ainda preciso tirar um tempo pra ouvir Sheenão Ringo, adoro a voz dela meio Amy Winehouse/Duffy contrastando com a voz doce de Utadão em Nijikan Dake no Vacance. Ainda sobre Sheena, quero saber sua opinião sobre essa Superfly, que lançou esse MV na semana passada e me fez lembrar da dita cuja

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