ALBUM REVIEW | HA:TFELT – Me? (2014)

Como vocês já sabem, dei uma editada no par de tops 2014 aqui do blog que acabaram sofrendo com os problemas de diagramação durante a transferência de plataformas que ocorreu em janeiro. Aproveitando a ocasião, decidi relembrar alguns dos lançamentos de tal ano através de posts especiais, incluindo umas resenhas de álbuns, antes de jogar a lista com o ranking coreano para rolo.

E isso é bacana, pois acabo tendo o pretexto para, em vez de precisar comentar algo atual apenas para seguir critérios de relevância, me dedicar a falar de coisas que, de fato, foram marcantes para mim dentro dessa cena. E o mini de debut da Yenny sobre a alcunha HA:TFELT foi uma dessas.

Confiram meus pitacos a respeito do Me?:

File:HATFELT - Me.jpg

Todo o contexto e a história por trás do “Me?” acaba sendo de suma importância para que as escolhas dentro dele sejam compreendidas e justificadas quando levamos em conta que ele foi lançado por uma Wonder Girl, dentro da JYP Entertainment, mas sem o nome dela como idol ou tantas semelhanças com o bubblegum pop facilmente associável ao grupo.

A essa altura do campeonato, a gravadora enfim havia desistido de fazer com que o Wonder Girls acontecesse nos Estados Unidos, com o quinteto em hiato, Sohee fora, Sônia mais ocupada como dona de casa, várias incertezas sobre comeback e um debut surpreendentemente bem aceito da Sunmi como solista no ano anterior.

Nesse meio tempo, Yenny se mudou para Nova York e se dedicou a compor (com ajuda de alguns produtores) todas as canções desse que seria seu álbum solo. No entanto, as faixas foram adquirindo uma estética não tão coerente com o que era esperado dela, o que gerou um confronto de ideias com o J. Y. Park, insatisfeito com o rumo que aquilo estava tomando. Ambos chegaram num meio termo conceitual, sonoro e estético, cada um cedendo um pouco, até que o “Me?” chegou em seu estágio final. Para tanto, a Yenny resolveu assinar o EP como “HA:TFELT”, seu título de compositora, explicitando que não deveriam esperar na tracklist o que esperariam de algo relacionado ao Wonder Girls.

Honestamente, toda essa trama sempre me soou pretensiosa e exagerada. No entanto, é possível, sim, que identifiquemos em tais faixas ideias mais ousadas que acabaram sendo aparadas a fim de o resultado final soar mais radiofônico. O que, em minha opinião, é o que faz toda a diferença e eleva o “Me?” prum status altíssimo no panteão de lançamentos coreanos dessa década.

Iron Girl, colaboração com a Lim Feia nos trechos de rap, soa como uma balada Post Grunge/Hard Rock, quase como uma versão um tiquinho mais light de algo que o Audioslave faria. A diferença de interpretações entre a Lim e a Yenny é interessante de ouvir, com a primeira mais enérgica, meio debochada até, e a outra imprimindo um mix de sentimentalismo, depressão e sensualidade. Versos ótimos, refrão ótimo, resultado arrepiante.

Truth imerge ainda mais nessa mistura de sensações, com ela colocando o máximo de passionalidade permitida em seu delivery vocal por cima de um arranjo eletrônico bem denso, dramático. Amo como tudo vai numa crescente de peso, subindo em todos os sentidos sonoros até um grande ápice ao fim.

Ain’t Nobody pega esse clichê de power ballads, tira inúmeras cópias numa máquina de xerox, rasga em vários pedaços e remonta de forma brilhante, com diferentes ápices ao longo do caminho em vez de um só. Os momentos onde ela se mostra mais sã na letra são interpretados com certa delicadeza vocal enquanto corre um instrumental orgânico atrás. Quando ela perde as estribeiras, o canto se torna mais gritado, descontrolado, e o que era tocado por uma banda é imediatamente substituído por uma explosão de sintetizadores. Sem sombra de dúvidas, uma das melhores faixas da história do K-Pop.

Bond, escolha do J. Y. Park para single ignorada por ela, é o momento mais sexual do álbum. Yenny novamente brinca com clichês, dessa vez do que é associável à trilhas de filmes de espionagem (a timbragem da guitarra, o ~mistério~ etc.) e coloca num pancadão safadíssimo sobre o James Bond comê-la de vários jeitos durante uma noite, enfiando diferentes metáforas eróticas no caminho. Ela pronunciar os zeros de “007” como se tivesse gemendo é uma das coisas mais impagáveis do EP.

Se toda a lista de tracks até aqui, instrumentalmente, soava sombria, tensa, em Whetever Together tudo se inverte, tudo se torna brilhante, bonito, vibrante, edificante. São como fogos de artifício em forma de EDM. E é incrível que, mesmo num troço voltado para as pistas, a desgraçada consegue colocar uma interpretação emocionalmente cativante.

Esse mesmo punch vocal tira Peter Pan e Nothing Lasts Forever do lugar comum de baladas acústicas (uma tendo o violão como destaque, a outra o piano), fazendo com que um tipo de som que qualquer um poderia fazer no automático acabe se tornando memorável, tocante, sensível.

E o gosto que fica ao final beira ao impecável. O único amargor, ou defeito, se é que isso pode ser qualificado como, é o fato disso ser um EP e não um álbum completo. Adoraria que ela adicionasse mais umas duas ou três canções nesse clima e fechasse um LP de verdade.

Fora isso, acho que a única coisa que me impede de dar uma nota máxima de minis aqui do blog (8,0) para o “Me?” é “Nothing Lasts Forever” ser, huh, alternativa além da conta. Há um balanceamento legal entre o lado mais autoral da Yenny e o comercial do J. Y. Park que fazem do pacote completo algo bem redondo, coisa que não rolou nessa última track. Mas, ó, é frescura minha. Isso aqui é um dos maiores troços do K-Pop como um todo. Ouçam sem medo.

Nota 7,5

Ahein, nas próximas semanas devo trazer mais algumas resenhas antes do topzão de capopes. Tem algo de 2014 que vocês queiram ler a minha opinião sobre? Sugestões são sempre válidas.

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9 comentários em “ALBUM REVIEW | HA:TFELT – Me? (2014)

  1. Nunca escutei o álbum por inteiro por não ter me apaixonado tanto por Ain’t Nobody, mas já ouvi algumas faixas soltas há algum tempo, e dá pra perceber a qualidade. Vou dar uma escutada por completo ainda.

    Ah, e faz uma review de Red Light. Se falar mal de Rainbow te xingo no Twitter.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Pretendo ouvir esse álbum; sei que muita gente ama ele e eu acho a voz da Yenny fantástica, mas infelizmente não curti muito Ain’t Nobody. Talvez as outras faixas colem mais comigo.

    E como assim, “Lim Feia”? Desde I Feel You, ela não pode mais ser chamada assim, ela tá bem gata desde então.

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      1. Era não, talvez essa impressão seja pela comparação direta com as colegas – o que é injusto quando a pessoa tá no mesmo grupo que três mulherões como Sunmi, Yubin e Yenny…

        Ah, e nada a ver com o assunto, mas LOONA anunciou seu show de estreia pro meio de agosto:

        Curtido por 2 pessoas

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