ALBUM REVIEW | HyunA – A Talk (2014)

Dando seguimento aos comentários de destaques lançados em 2014, é hora de relembrarmos aquilo de a maçã ser vermelha, assim como a bunda do macaco, com a HyunA sendo gostosa por conta disso ou coisa parecida.

Abaixo, meus pitacos sobre o excelente A Talk

File:Hyun A - A Talk (Digital).jpg

Recolher músicas do K-Pop de quatro anos atrás me tem sido uma experiência bem mais nostálgica do que eu esperava inicialmente. Creio que isso se dá pelo fato de, à época, eu estar no meu “auge” (me imaginem cortando aspas no ar com bastante ênfase) como blogueirinho iniciante num site de cultura Pop oriental e, em tais tempos, minha empolgação por acompanhar essa cena, descobrir coisas novas e defender minhas bias estar lá em cima. Obviamente, meu português, meu cuidado em opinar e meu conhecimento eram ainda menores do que atualmente (eu mal tinha terminado o ensino médio), então ler trecos desse período me causa bastante vergonha. Mas, é, confesso que sinto falta dessa empolgação inicial.

Empolgação inicial que, se bem me lembro, me deixou bem intrigado com um artigo (de alguém que deveria ter tanta experiência quanto eu) que li num outro site de asian pop que era famosinho sobre cantoras coreanas e vocais dentro da cena. Nele, usavam a HyunA como exemplo negativo, salientando playbacks em apresentações e todas aquelas coisas usáveis como argumento nesse tipo de conversa.

É claro que eu sabia que a capacidade vocal da ainda 4MINUTE era limitada, mas já ali eu me perguntava se, de fato, isso importava para o tipo de som que ela estava se propondo a fazer. E um tempinho depois, quando ela soltou seu terceiro mini-álbum, acabei chegando à conclusão de que, não, não importa.

O “A Talk”, comigo, é um exemplo perfeito não só do que, de maneira representativa aos ouvidos e aos olhos, é a HyunA como idol, mas de como funciona toda uma fatia do K-Pop. Interpretações vocais vigorosas não são o foco dessa galera, então todo o resto acaba sendo trabalhado com ainda mais maestria para “disfarçar” essa “limitação” (que, nos tempos de hoje e nesse nicho recheado de tecnologias caríssimas de modo a tornar até uma hipopótama gemendo por dor de barriga algo audível, não chega a limitar nada de verdade). Logo, taca-lhe instrumentais impressionantes que funcionam por si só, visuais estonteantes em videoclipes que dão vontade de rever várias vezes até gravar cada take (e a música grudar por associação), conceitos divertidos que fazem do pacote todo algo memorável apenas por sua existência, e pronto. Katy Perry fez uma carreira inteira assim, Selena Gomez também, Lana Del Rey, Britney, Madonna, dentre outras.

Visto isso, os produtores por trás da HyunA reuniram aqui uma ótima coleção de faixas Pop que escondem os pontos fracos dela como interprete e reforçam todos os aspectos positivos que fizeram de sua persona algo popular e memorável. São canções divertidas, bem humoradas, com pitadas de erotismo e todo aquele ar sapeca e petulante característico dela. É como se a HyunA não se levasse tão a sério e apenas curtisse o que faz, sem maiores pretensões.

Red é o momento de ápice disso, sendo a minha favorita dela no mini e em toda sua carreira como solista. Ela extrapola propositalmente em toda a sacanagem, com uma letra absurdamente idiota que pega uma canção infantil e faz piadas velhacas por cima apenas pelo resultado engraçado que isso pode gerar. Não é pra tocar fundo, não é para ser emocionante, arrepiar ou qualquer troço do tipo. É assumidamente só para entreter e ponto. E não há problema NENHUM nisso, já que é feito com excelência.

E essa mesma excelência aparece em todo o resto da tracklist, que caminha por uma estrada menos electropop e mais urban, mas se mantém maravilhosa do início ao fim. A intro homônima e French Kiss (sua melhor album track em todos os tempos) estariam em casa no catálogo de produções do Timbaland nos anos 2000 – quase consigo imaginá-las na voz da Nelly Furtado ou da Ciara, tamanha a semelhança no uso das baterias eletrônicas.

From When And Until When usa influências mais graciosas nos instrumentais, mais românticas em execução, açucaradas, mas que acabam rolando direitinho por optarem em inverter a interação rapper x gostosa cantando, com a HyunA fazendo as rimas e um cara aí soltando malabarismos vocais no refrão. Já Blacklist coloca ela junto com a LE, do EXID, num rapsung carregado de punch e swag, dando espaço para ambas brilharem como se estivessem emulando Iggy Azalea e Nicki Minaj (conseguem adivinhar qual é qual?) por suas vidas. O resultado é ótimo.

E o gosto que fica ao final é delicioso de tão satisfatório. É óbvio que o “A Talk” não é um mini mudador de vidas, que nada nele toca o ouvinte mais a fundo, mas em momento nenhum isso foi fitado, certo?

Lembro que em 2014, quando escrevi sobre o EP naquele site, destaquei o quanto as pessoas frequentemente falavam mal da HyunA como personagem, que ela não acrescentava nada à cena sendo assim. Classifiquei esse comeback como um grande dedo do meio dela e da Cube para tais comentários e continuo achando isso até hoje. Infelizmente, com quatro anos passados, não sei se vejo o ordinário dos fãs nessa cena mudar e amadurecer a respeito de capacidade vocal e disso de idols serem avatares, aceitando pegadas mais sacanas como a da ex-Wonder Girls aqui. É só pensar em casos recentes aí de proteção exagerada a conceitos mais infantilizados e repulsa à possibilidades diferentes em um leque enorme delas. Vai entender.

Nota 7,0

 

Outras resenhas da HyunA: A’wesome (2016) | Following (2017)

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2 comentários em “ALBUM REVIEW | HyunA – A Talk (2014)

  1. Um dos muitos álbuns que preciso tirar tempo pra ouvir. Mas mudando de assunto, uma panfletagem de uma girlgroup que surgiu no começo desse ano, que soube que existe por causa de um post do Dougie:

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