ALBUM REVIEW | Sunmi – Full Moon (2014)

Outro dia, outra resenha de álbum como esquenta para o top 2014. No caso, outra resenha do álbum de ex-Wonder Girls, visto não só a HyunA e a Yenny terem soltado material solo em tal ano, mas a Sunmi também.

Confiram meus pitacos a respeito do Full Moon

Posso confessar algo, só aqui entre nós? Eu nunca entendi o porquê da Sunmi ter feito sucesso. Não estou desmerecendo o talento dela, nem a produção por trás de seus lançamentos, não entendam errado. O lance é que a própria inserção dela como solista, na real, é meio confusa se pararmos para pensar.

Ela foi afastada do Wonder Girls em 2010 para se dedicar aos estudos – e isso nem é uma desculpa esfarrapada da gravadora para mascarar uma demissão, ela de fato ficou fora do grupo para investir na carreira acadêmica. Só que, nesse meio tempo, ela continuou como contratada da JYP Entertainment, que a debutou solo em 2013, lhe deu o mini-álbum falado aqui nesse post em 2014 e a reinseriu no Wonder Girls em 2015.

Carisma? Bons contatos dentro da empresa? Aquilo do J. Y. Park amar seus funcionários como se fossem seus filhos é verdade então? Nunca entenderei o real motivo. Mas não estou reclamando não, muito pelo contrário. Ainda que com um repertório enxuto, a Sunmi vem se mostrando nos últimos anos como uma das cantoras mais interessantes dessa cena, com cada um de seus releases carregando um “brilho” (fruto de um cuidado metódico com as composições, videoclipes e estéticas visuais adotadas) que retira tais produções de um lugar comum que poderia ser a morte para qualquer act que queira atingir longevidade nesse meio.

Se as mais recentes “Gashina” e “Heroine” contam com MVs estonteantes, dotados de cenários gigantescos, aparentemente caríssimos, recheados de detalhes que saltam aos olhos e despertam vontade de assisti-los várias e várias vezes, essa ambição em investir num pacote completo mais rico já estava presente lá atrás, na title Full Moon.

Convenhamos: musicalmente, isso aqui não é nada muito original ao período que foi lançada. É um número midtempo tocado de maneira orgânica, mesclando vocais cantados de maneira suspirada, de modo a demonstrar sensualidade, e rimas agressivas na parte de rap, produzido pelo Brave Brothers e semelhante a boa parte do que saiu desse período criativo dele. Eu gosto? PARA CARALHO! Mas não fosse o vídeo trabalhosamente planejado, admito que a música acabaria sendo só mais uma nesse estilo.

E aí que está o x-factor por trás da Sunmi: a grandiosidade que transforma produtos normalmente apenas aceitáveis em coisas enormes. “Full Moon” poderia trazê-la só dançando num galpão ou qualquer treco do tipo, mas a JYP fez questão de aliar a sensualidade da track com uma historinha de vampiros no clipe, atribuindo isso também ao encarte do EP e todo o material promocional (algo meio Koda Kumi, parando pra pensar). Não é só um número sensual, mas um número sensual “com conceito”. E que, surpreendentemente, não morreu só na faixa 1.

A grande maioria da tracklist carrega esse “peso” através de instrumentais e letras no limiar entre o sombrio/frio e o sensual/erótico, algo que já havia funcionado em seu debut no ano anterior, com 24 Hours. Aliais, “24 Hours” é um daqueles exemplos ideais de “canções transição” entre a imagem idol mais infantil, recatada, açucarada etc. e a de idol mais adulta, com permissão para brincar sobre temáticas sexuais, ousar em diferentes sentidos. Na mesma linha de “Twenty Three”, da IU, ou “Coming of Age Ceremony”, da Park Ji Yoon.

Gosto bastante da melodia contínua e dos sintetizadores retrôs utilizados aqui, além do refrão matador que fica com força na cabeça. No entanto, o break de tango na bridge sempre me foi incômodo. Imagino que tenham pensando-o como um clímax para a faixa, mas, comigo, age de modo contrário, quebrando o que estava sendo construído antes. É uma boa música, mas poderia ser excelente sem tal momento.

Entrando nas album tracks, a melhor em todas, certamente, é Burn, sendo talvez o que de mais interessante ela soltou pré-“Gashina”. Até hoje me sinto roubado de um clipe para isso, ou mesmo uma performance ao vivo. Há um misto de raiva e dor nessa letra que é tão bem interpretado por ela que seria super legal de ver em vídeo. Um ótimo uso do EDM para criar algo sombrio que funciona também para as pistas.

Who am I?, com a Yubin, também é tão boa. Ouvi-la é como viajar de trailer numa estrada desértica, debaixo dum sol escaldante, munido de um estoque ilimitado de uísque e cigarros. Já If That Was You, com a Yenny, me passa uma sensação bem mais emotiva, triste, como esperar por alguém na mesa de um restaurante horas a fio, sabendo que a pessoa não aparecerá, mas não aceitar isso por não querer se decepcionar.

Ambas as faixas acima, além da title, contam com participações que acrescentam boas coisas às produções e elevam seus níveis num balanço final. Infelizmente, não posso dizer o mesmo do Jackson (GOT7) em Frozen In Time, que tinha tudo para ser um R&B eletrônico bem bonito, com a Sunmi colocando uma interpretação vocal frágil e passional nele, mas perde muitos pontos pelos versos dados ao colega de empresa, exagerados em autotune, quase robóticos, que em nada casam com a sutileza a que divide linhas. O pior erro em todo o EP.

No entanto, apesar dos equívocos pontuais, o gosto que fica ao final é satisfatório. O “Full Moon” é um ótimo trabalho de estreia, que acerta ao carregar a mão no conceito de modo a engrandecer canções que poderiam ser simplórias caso soltas sem toda a perfumaria aplicada nele.

Torçamos para que 2018 ainda seja frutífero e que, finalmente, seu primeiro álbum longe das asas da JYPE saia logo. Fica difícil ser fã de alguém com tanto talento, mas tão poucos exemplares deste para serem apreciados. Larga o Teddy, Sunmi.

Nota 6,8

Anúncios

4 comentários em “ALBUM REVIEW | Sunmi – Full Moon (2014)

  1. Enquanto Chungha é a nova BoA, Sunmi é realmente a nova Lee Hyori, já que ela tem o mesmo jeito teatral e “empoderado” (entre aspas porque tem gente que detesta esse termo) de Hyorizão. Só venha, próximo álbum!

    Curtido por 1 pessoa

  2. O Teddy já fez alguma música no 10? Se já, qual o nome? Porque não lembro. ~~enfim~~ A Sunmi é um caso de amor e incômodo comigo, as vezes a voz dela soa irritante/desafinada pelo timbre de voz que ela possui e outras vezes eu tô amando. Tadinho do Jackson, ele é apenas o oppa gostoso e só isso, mais nada.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s