ALBUM REVIEW | SHINee – The Story of Light (2018)

Sem muita enrolação na intro, aqui vão os meus comentários a respeito do The Story of Light, sexto LP de inéditas do SHINee, lançado em três partes e comemorando os 10 anos de formação do grupo…

É aquela velha história: algumas coisas conseguem atrair a atenção positiva de uma boa parcela do público, seja ele o seu natural ou não. Sinto que, com o SHINee, temos um exemplo disto. É comum no K-Pop a divisão entre uma galera que curte mais releases de acts masculinos e a que opta pelos femininos. Vejo Taemin e cia como uma exceção à regra, atraindo confetes de ambas as partes.

E eu meio que sempre estive alheio a isso…? É, acho que sim. Enquanto números como Lucifer View são quase unanimidades na fanbase, confesso quase não escuta-las. E quase não escutar o repertorio do SHINee como um todo. Acho que nunca enxerguei neles o mesmo brilho que em outros boygroups da SM. Sempre faltou um apelo, um fator que os diferenciasse à manada. Fator esse que, infelizmente, só me surgiu após a morte de um dos integrantes.

A partida do Jonghyun angariou ao, agora, quarteto um leque de possibilidades artísticas a lidar com o luto – algo comum ao meio musical. As experiências em vida ditam o modo como as peças de entretenimento são criadas. A Utada Hikaru dedicou metade de seu melhor álbum ao vazio sentido pela perda de sua mãe. O Ladies’ Code imergiu em melancolia através de um par de singles metafóricos (aqui e aqui), cujos videoclipes prestavam homenagem às integrantes que faleceram anos antes num acidente de carro. Restava então saber como isso seria feito com o SHINee.

Good Evening é o resumo perfeito de como esse luto foi retratado no álbum. Há uma dualidade na letra que permite uma dupla interpretação. Pode ser entendida de maneira romântica, com um eu lírico desejando viver ao máximo os momentos com sua parceira, ou como uma homenagem ao Jonghyun, já que as falas podem ser adaptadas para um contexto mórbido. Fica a cargo do ouvinte.

O que tira tudo da casinha é o instrumental extremamente colorido, vibrante, pra cima, totalmente oposto ao que é esperável desse tipo de contexto, dando um tom agridoce ao resultado final – algo que se repete em praticamente todas as canções que funcionam da tracklist, com suas devidas variedades em referências, de modo a fazê-la bem variada, ao mesmo tempo que coerente em proposta.

All Day All Night acerta na agressividade com que os versos são entoados por cima de uma cama sonora EDM tão hostil quanto. Undercover acerta por trilhar um caminho sônico bem estranho, ainda que genuinamente Pop em suas escolhas melódicas (me lembra Wednesday Campanella). Jump acerta ao levar o ouvinte direto para uma ballroom party noventista por meio de seu garage house sujão e rebolativo. You & I acerta ao utilizar corretamente os vocais dos integrantes numa balada simpática e de arranjo contido, sem exageros.

Os acertos continuam, mas em menor escala, em I Want You, um dance tropical cujo maior brilho está no refrão, forte, grudento, Pop, daqueles que dão vontade de ouvir mais e mais conforme o tempo passa, ChemistryElectric Who Waits For Love, que também apostam em diferentes vertentes dessa fatia mais contemporânea do electropop trend em charts europeus (respectivamente, dancehall, PC Music e latin dance), mas acaba por se embrenhar em terrenos sonoros um tanto óbvios na leva final de canções, resultando em exemplares que variam entre fillers agradáveis e equívocos demasiadamente óbvios e destoantes ao que estava sendo construído.

Do time de fillers aceitáveis, temos Drive, cuja guitarrinha a tira do lugar comum, Retro, puxando elementos de Jazz e R&B, e Lock You Down, bastante estranha, mas curtível numa ouvida casual. O problema mesmo está quando eles escolhem ir pelo caminho mais fácil, com Our PageTonight I Say, três baladas pomposas que em nada fogem de clichês, sendo inclusive difícil lembram qual é qual depois de terminar o LP.

O que torna o “The Story of Light” um bom álbum é a ideia executada nele. A dubiedade de interpretações possíveis nas letras cantadas com instrumentais festivos coloca tudo num local mórbido bastante interessante de ser ouvido e sentido. Quando o foco está nisso, ele é fortíssimo, acima da média. Quando ele só entrega o arroz com feijão ordinário, não brilha.

Fosse eu, cortaria a trinca de baladas na parte final e entregaria cada capítulo com quatro canções. O resultado seria mais enxuto, sem falhas, quase perfeito. Do jeito que está, é só um álbum bom com um terço final pouco aproveitável. Saio satisfeito ao fim, mas é meio chato pensar que tudo poderia ser melhor.

Nota 8,0

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12 comentários em “ALBUM REVIEW | SHINee – The Story of Light (2018)

  1. Será que Good Evening vai sobreviver para os melhores do ano? Veremos no próximos capítulos da sua novela favorita, nessa mesma hora e nesse mesmo canal.

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  2. Eu gosto do SHINee, consigo diferenciar os timbres e eles fazem algumas farofas boas. Ainda não escutei tudo, mas eu vou ter férias daqui a uma semana, e vou me atualizar. Boa resenha!

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  3. Passando por aqui só pra panfletar o vídeo do LOONA TV com a icônica Pirralha do Sapo ensaiando pra sua música solo no Line&Up e fazendo bonito, melhor que algumas idols mais velhas que ela (e isso inclui uma ou duas colegas de grupo dela):

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  4. Pra mim já é um dos melhores álbuns do ano. Acho que essas baladas da última parte (a mais fraca, de longe) que matam mesmo. Mas coisas como Who Waits For Love e JUMP, e seus respectivos EPs, salvam tudo.

    E, não sei se você percebeu, mas tem a voz do Jonghyun em Lock You Down…

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  5. Eu achei a primeira parte sensacional, tanto que até comecei um projeto pseudo-conceitual de Album Reviews ( https://aquariohipster.wordpress.com/2018/06/07/album-review-shinee-the-story-of-light-ep-1-ou-uma-viagem-sensorial-pelo-subtexto-da-primeira-parte-das-comemoracoes-de-uma-decada-de-existencia-do-shinee/ ), mas aí veio I Want You e o segundo EP, bem mais fraquinhos que o primeiro que até desanimei pra continuar o projeto no timing (não se preocupem que a continuação com as duas outras partes vai ao ar na semana que vem ^^)… Mas até que gostei do de algumas album tracks (e de Our Page, o que acabou me impressionando @.@’)… #LockYouDownHINOOO

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