ALBUM REVIEW | Perfume – Future Pop (2018)

E aí que o Perfume, finalmente, lançou seu sexto LP, encerrando essa que foi sua era mais fraca em tempos. E como essas resenhas de álbuns costumam ser bem longas, não prenderei vocês num nariz de cera desnecessário.

Abaixo, confiram meus pitacos sobre o Future Pop – cuja tracklist, já adianto eu, não responde coerentemente em nada ao título…

File:Perfume - Future Pop reg.jpg

Na verdade, o álbum deveria se chama “Datado Pop”, mas chegarei lá.

Eu AMO o Perfume. O trio deve ser um dos meu pop acts favoritos da vida, englobando aí não só o Japão, mas o mundo musical inteiro. Fico até meio espantado com, salvo os posts rankeando melhores dos anos, eu quase não mencioná-las aqui no blog, visto o tempo de ouvido que eu gasto com sua discografia ser bem maior do que boa parte do que dedico à figurinhas mais carimbadas por aqui. 1mm é talvez o meu J-Pop favorito (se não, divide um top 3 com “Travelling”, da Utada Hikaru, e “Marunouchi Sadistic”, da Sheena Ringo). E faixas como “Magic of Love”, “Glitter”, “Edge (Triangle Mix)” e “Fake It” não estariam muito longe caso eu resolvesse, de fato, elencar as que mais curto na terra do Goku em todos os tempos.

Até certo ponto, sempre percebi uma coisa no repertório do Perfume, que imagino ter sido proposital em sua confecção ao longo dos anos, ainda que não verdadeiramente declarada: é como se ele viesse de uma máquina do tempo, de uns mil anos no futuro. Quando me vem à cabeça a imagem de um cenário futurista tipicamente japonês, seja num mangá em p&b ou num anime coloridaço, num videogame recheado de orçamento ou num longa-metragem, é nítido a mim encaixar suas canções como uma soundtrack ao fundo, natural em tal realidade. O Perfume (e o Nakata, num todo) sempre foi “Pop Future”, ainda que não oficialmente.

O que deixa tudo ainda mais grave quando, agora, finalmente assumindo esse título num álbum, o resultado final ser tão… Datado.

Eu não tenho a menor ideia do que está rolando com o Yasutaka Nakata em questões criativas. Não sei se enjoou do synthpop que se tornou sua assinatura e fez do Perfume o que é. Não sei se acha que precisa se adequar ao que é trend internacionalmente para expandir sua marca. Não sei se ele perdeu de vez a mão para ser vanguardista na música eletrônica e, por conta disso, precise de templates vindos de fora para não parar de vez, seguindo fluxos em vez de criar seus próprios. Apenas não sei.

O que sei é que, de “future”, esse álbum não poderia ter passado mais longe. Mais da metade de sua tracklist soa como reaproveitamentos atrasados de modinhas europeias que quase ninguém mais se importa em investir. Em vez de, nele, termos canções que nos remeteriam ao futuro, suposto tema central, a impressão é de que voltamos pro início dessa década, tamanhos os maneirismos executados.

A faixa título me lembra as mesclas de drum’n’bass com cordas que o Sigma produzia com cantoras europeias entre 2013 e 2015 (exemplos aqui, aqui e aqui). If You Wanna parece uma demo perdida do Skrillex (estaria em casa no Bangarang como feat. com a Ellie Goulding), mas com o porém de soar não finalizada, estranha, como se faltasse uma bridge, sei lá.

Tokyo Girl, Everyday e Let Me Know parecem caídas há 5 anos do caminhão de mudança do Avicii naquilo de inserir elementos de Folk, Country e outros gêneros orgânicos mais “leváveis a sério” no EDM – mania que envelheceu mal demais em minha humilde opinião de ouvinte.

No meio termo disso ficam Chourairin e Houseki no Ame, que não se deixam ir demais em tal conceito grass, focando as atenções em outros artifícios sônicos, mas nada que as tire do óbvio. Já Mugen Mirai parece encomendada com o Chainsmokers, com o refrão sendo aquela explosão de sintetizadores característica de anos atrás que persiste até hoje.

Ironicamente, são as exceções que, de fato, conseguem transportar o ouvinte para o que seria relacionável ao futuro musicalmente. E, talvez por isso, são as mais interessantes em todo o trabalho. Tiny Baby é super divertida, adicionando ícones chineses na backtrack que remetem à OSTs de fliperamas. Tenkuu parece saído de uma propaganda japa de TV nos anos 80, naquele futurismo retrô da época.

Fusion é a melhor da trinca, sendo o equivalente à “Party Maker” ou “Edge” dessa era, onde o foco não está nos vocais, mas sim em proporcionar longos minutos de um dance clubber envolvente, impactante, meio robótico até. Infelizmente, não são o suficiente para salvar o álbum de se afogar num pântano de incoerência ao que havia se proposto.

E eu nem estou falando que ele é ruim de ouvir. Na real, o escutei inteiro várias vezes antes e enquanto digitava esse texto, com ele descendo redondo em todas elas. As faixas são legais, ele é todinho bem feito, não há nada de inaudível na tracklist. Certamente, várias delas baterão ponto isoladamente nas minhas playlists até o fim do ano. Mas o esvaziamento de seu conceito é grave quando o LP é avaliado como um todo.

Me lembra o “Cosmic Explorer”, de 2016, onde duas ou três músicas seguiam tal gimick espacial e todo o resto apostava em outras ideias. Aqui, no entanto, a própria faixa título é genérica ao extremo. Os ideais de futurismo do Nakata com o Perfume são imperdoavelmente datados. De minha parte, prefiro ficar com os do Timbaland/Timberlake em 2006 e da Namie Amuro em 2009.

Nota 6,0

Mas, ó, para os que estiverem tendo nesse seu primeiro contato com o Perfume, garanto que elas têm trabalhos bem mais interessantes em seu catálogo. Sugiro dar um pulinho na página delas no Spotify, começando pela compilação de hits de 2012 e, depois, ouvindo cada um dos álbuns em ordem decrescente, do de 2013 (Level3) até o de 2008 (Game).

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17 comentários em “ALBUM REVIEW | Perfume – Future Pop (2018)

  1. Que pena o Nakata estar errando a mão com o Perfume, elas são muito talentosas. Aliás, já faz um tempo que ele tem errado com todos os grandes atos dele, não? Perfume, Kyary, Natsume Mito (se bem que essa já começou errada com a franja tosca)…

    Enfim, LOONA ganhou mais um teaser:

    Olhando pra ele, só consigo pensar em duas coisas:

    1) Pra lua estar desse tamanho, o efeito na gravidade da Terra já teria destruído o planeta…

    2) É assustador considerar que, mesmo elas sendo 12 e estando de costas, ainda dá pra identificar a maioria delas no teaser…

    Curtido por 1 pessoa

  2. Eu não tenho certeza se vou ouvir esse álbum do Perfume, acho que vou empurrar essa vontade com a barriga e deixar pra fazer isso um pouco mais pra frente…

    P.S.: Você não sabia se incluía Wednesday Campanella no seu top 50 de fim de ano com Langage, né? Uma dica: melhor fazer uma menção honrosa, mesmo. Pra Langage e pra isso aqui que eles lançaram com CHVRCHES:

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  3. SAIU!!!

    …mas acho que prefiro favOriTe, mesmo. Por sinal, se já teve gente reclamando da distribuição de linhas em favOriTe, quero só ver o que vão achar da distribuição nessa aqui (se a outra era dominada por HeeJin, Kim Lip e JinSoul, essa aqui é quase um solo da HeeJin).

    Isso posto, o MV é ótimo e a descrição fumada das units e como elas se combinam é bem interessante. E elas estão lindas (mas quando é que elas não estão, não é mesmo?).

    Curtido por 1 pessoa

    1. Só eu que fico imaginando o Lovelyz cantando essa música ou é algo exagerado de se pensar ?? Eu praticamente fiquei no hype e eles logo lançam isso na estréia do grupo, não tá ruim mas é algo tão comum.. Acho que a única graça do grupo foi o projeto mesmo que tem solos muito bons, o clipe tá legal bem original é a marca delas, pode ser básico mas os cenários estão lindos, ainda não senti o impactado por pura frustração, tipo esperar quase 2 anos e ouvir um Lovelyz é muito chocante pra mim que propaganda enganosa a BBC fez eu ein!

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      1. Se serve de consolo, ouvi o mini-álbum delas e ele tá MUITO BOM! Bem diversificado musicalmente.

        O que me faz pensar: se a BBC queria um número mais açucarado pro debut do LOONA, devia ter lançado Perfect Love como single… é uma música doce, mas na medida certa, com um som meio anos 90 que me lembrou um pouco o estilo do Claudinho & Buchecha (no bom sentido).

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