Vocês se lembram onde estavam quando o F(x) lançou “4 Walls”?

Eu lembro.

Sigo viciado em Puzzle Moon, do GWSN. Certamente figurará numa posição bem alta em meu já tradicional ranking de melhores do ano em dezembro, mesmo sendo uma cópia menos emblemática de 4 Walls, do F(x), que eu considero a “melhor” música de 2015 (embora não seja a minha favorita, mas vocês podem ler sobre isso aqui), que é o melhor ano do asian pop nessa década.

Ocorre algo com “4 Walls”, tamanha a sua força aos ouvidos, que é ligeiramente raro comigo: eu consigo lembrar exatamente como foi o trajeto para que eu enfim a escutasse pela primeira vez e também o mix de sentimentos que tive em tal primeiro contato.

O F(x) nunca foi prioridade da SM Entertainment, sendo sempre tratado como girlgroup B dentro do catálogo da gravadora (depois do debut do Red Velvet, viraram o grupo feminino C). No entanto, em 2015, as pessoas queriam saber o que elas aprontariam em seu comeback por uma série de motivos.

Um ano antes, musicalmente falando, elas quebraram totalmente as normas do que deveria ser “Pop” com o Red Lightsingle e álbum absurdamente experimentais, mas assertivamente envoltos de uma aura radiofônica que fazia toda aquela maluquice barulhenta ser perfeitamente palatável aos ouvidos. Como ir além disso? Como extrapolar novamente os limites da farofa?

Agora, fofocativamente (neologismo, rs) falando, o grupo passou por uma série de causos midiáticos por conta da demissão da Sulli após interromper as promoções do “4 Walls” por problemas de saúde, o que gerou uma quase revolta entre os fãs. Somem isso com o fato de a gravadora ter passado a investir pesado na marca do Red Velvet, que vinha com uma sonoridade mais ou menos parecida com a do F(x) ali em início de carreira, além de toda a carga estética alternativa atribuída ao grupo. O que Amber e as outras fariam fariam após isso?

A resposta foi… Evoluir. Sair do template de hipsters esquizofrênicas do K-Pop para outro de hipsters, mas mais alinhadas com o que ocorria na cena eletrônica internacional da época. Lembram do que falei de extrapolar os limites da farofa? O que elas fizeram foi justamente o contrário.

No dia do lançamento de “4 Walls”, ocorria em minha faculdade (eu sou formado em Jornalismo, embora esse blog não seja jornalístico) um evento juntando todos os cursos da área de Comunicação, no qual eu era um dos responsáveis pela cobertura, com palestras, workshops e todos aqueles trecos de universidade que as pessoas só levam a sério tarde demais, que gastam dias inteiros de uma semana.

Lembro que não fiquei acordado para assistir o MV no YouTube meia-noite (os álbuns saiam aqui no Brasil de madrugada nessa época), que acordei atrasado demais para conferir antes de sair e fiquei demasiadamente ocupado durante toda a manhã com uma exibição de efeitos especiais patrocinada por uma escola de cinema aqui do RJ. Em meu celular, lia opiniões variadas de colegas num grupo de WhatsApp, uns dizendo que odiaram por “não ser F(x)”, outros amando por ser “ainda melhor que F(x)”.

Pensei que teria tempo de assistir o clipe no almoço, mas acabei indo comer fora com colegas e já emendando o fôlego numa aula de fotografias eróticas (pois é, humanas tem disso), depois em outro workshop, outro, aí fui jantar, depois rolaram palestras e entrevistas que tive que fazer, edições da ilha de cortes, preparar pauta pro dia seguinte. Era quase meia-noite quando, enfim, cheguei em casa e pude dar play no vídeo que abre esse post.

Minha reação foi de… Estranheza. Após “Red Light”, imaginava que elas repetiriam a dose nas bizarrices do industrial / eletronic body music. No entanto, “4 Walls” brincava mais com o deep house / garage house que acts ocidentais como AlunaGeorge, Disclosure, Kiesza e outros vinham ressuscitando à época. De imediato, achei morno demais em comparação ao que elas vinham fazendo em comebacks anteriores. Meio decepcionante até, embora o videoclipe fosse, de longe, o melhor do grupo.

Imagem relacionada

Obviamente, isso durou pouquíssimo. No dia seguinte, já estava com o álbum inteiro em meu celular, ouvindo cada uma das faixas enquanto ia para mais um dia cheio na faculdade.

Vejo “4 Walls”, hoje, como a segunda melhor faixa do F(x). Não é a porrada imediata que foi “Red Light”, mas vai envolvendo o ouvinte aos poucos em sua teia de melodias desgraçadas. O refrão repetitivo é anfetamina pura, um dos mais fortes do K-Pop. A letra mescla shade na Sulli com putaria classuda. O ~clima~ construído por ela é totalmente remetente a clubes noventistas, ballroom parties vogue esfumaçadas (não é a toa a coreografia dela se toda calcada nisso), drag queens lip synch por suas vidas. É o limiar exato entre a melancolia alternativa e o bliss poc que toda canção do tipo deveria carregar.

Por um acaso do destino, esse acabou sendo o último lançamento “oficial” do então quarteto. Rolou uma versão japa depois, um single dentro de um STATION, mas nada com o afinco que um release propriamente dito deveria ter. Não acho que o F(x) terá ainda um novo comeback. Se esse foi o ponto final da trajetória delas juntas, não tenho nada do que reclamar.

Um dia faço review do álbum, aguardem calmamente

Foda-se o comeback do April. Bjokas.

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12 comentários em “Vocês se lembram onde estavam quando o F(x) lançou “4 Walls”?

  1. “A letra mescla shade na Sulli com putaria classuda”

    Mas o shade seria por parte das próprias f(x) ou da SM? Conheço a trajetória do f(x) menos do que gostaria de conhecer (ainda vou pegar um dia pra maratonar os MVs delas e ver se consigo diferenciar quem é quem; no momento as únicas que eu sei identificar são a Amber e a Sulli), mas acho que seria uma pena se a amizade delas com a Sulli tivesse azedado depois de tanto tempo que elas devem ter passado juntas…

    Mas 4 Walls é uma música maravilhosa, mesmo, e o MV idem!

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  2. Panfletagem aleatória do LOONA de hoje:

    A BBC vai fazer… hã… alguma coisa de 23 a 25 de novembro. Não entendi se é um evento estilo os Cinema Theory, se é uma transmissão de rádio, ou o que é, mas ó:

    A parte mais interessante é que, ao que parece, a maravilhosa pirralha do sapo vai ganhar uma unit secreta só dela! É como dizem, os humilhados serão exaltados, né não?

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  3. Descobri 4 Walls só no ano passado. E eu, que já gostava muito de house, obviamente gostei da música de imediato. Por sugestão do falecido Asian Mixtape, baixei todas as músicas dos best of que ele fazia, alem das mixtapes mensais (sdds eternas), e pelos downloads fui descobrindo as pérolas do álbum 4 Walls: Rude Love, Papi, o cover da Zara Larsson, o hino da siririca da Carly Rae Jepsen… Enfim, hinário pras guei. E me apaixonei. Cheguei a ver/ouvir Electric Shock há muito tempo atrás, mas não dei muita atenção porque não curti de primeira, a devida atenção ao f(x) foi dad por mim só no ano passado com esse ótimo álbum. Daí sim, comecei a ouvir e gostar pouco a pouco das músicas do f(x), já que essas bichas acertam até nas B-sides. E ainda falta ouvir e gostar de bastante coisa delas!

    P.S.: Pra ofender os capopeiros mais chatos, uma paródia da música:

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  4. Eu me lembro perfeitamente, pois tinha recém saído do meu emprego onde eu trabalhei durante 17 árduos anos como gerente comercial.
    Depois disso sabe o que eu fiz? Fui trabalhar numa bikeshop, pois como um ciclista apaixonado que eu sou, achei que poderia associar minha paixão com dinheiro (sim, quebrei a cara, mas hoje estou melhor).
    Eu fiz a galera da loja escutar o “4 Walls” inteirinho e no repeat ad eternum durante umas 6 semanas seguidas, o ponto alto era “PAPI”
    Amo esse álbum, bem mais que os lançamentos anteriores das meninas (e olha que sou bem [insira aqui o nome do fandom do f(x)])

    p.s – 2015 foi um baita ano pra SM, pois tinham o Red Velvet, o EXO e o F(x) lançando álbuns excelentes!

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