ALBUM REVIEW | Gugudan – Act. 5 New Action (2018)

Tem algo de muito interessante, mas ao mesmo tempo triste, em acompanhar os efeitos colaterais deixados pela explosão que foi a primeira temporada do “Produce 101”. Vocês que estavam lá lembram. A ideia foi ótima: juntar 101 trainees e flopadas avulsas de diferentes companhias fonográficas coreanas num survival show para formar o novo girlgroup da nação. E embora parecesse um processo especialmente megalomaníaco, deu certo ao ser abraçado por uma quantidade considerável de gravadoras, que enviaram suas candidatas a futuras estrelas em massa para conquistarem o quanto de atenção e mídia conseguissem antes do debut.

Ao fim, rolou o I.O.I, um caso estudável de sucesso comercial e cultural, reunindo as 11 participantes mais populares da atração. Infladas pelo spotlight de uma gravadora enorme (JYP, da Somi, ou você acham que “Very Very Very” iria para o colo delas sem a queridinha do velho no line up?) e pela vontade de um canal enorme de TV, as demais gatinhas teriam, nisso, a oportunidade de, após os meses de promoção com o time temporário, iniciarem suas jornadas por suas empresas já com um boost de popularidade. Seriam celebridades já formadas, com um caminho de sucesso à vista.

Infelizmente, não foi o que rolou. Não sou nenhum especialista em gerenciamento ou coisa do tipo, mas da minha visão de fã da cena Pop como um todo, coloco essa culpa do fracasso dos acts gerados pós-I.O.I nas… Próprias empresas que lidam com as meninas extraídas dali. A real é que, por vários motivos nunca esclarecidos (surfar na onda-Twice de girlgroups gigantes? Enxugar o mais rápido possível o quadro de trainees? Nunca saberemos…), as gravadoras cometeram o erro de diluir a imagem e relevância das I.O.I em outro girlgroups enormes.

Doyeon e Yoojung debutaram com outras SEIS gatas no Weki Meki, Pinky e Nayoung se juntaram com outras OITO no Pristin, Chaeyeon já fazia parte do DIA, mas esse já chegou a ter NOVE garotas em seu line up pós-reality, e a Yeunjung, pior caso de todos, foi adicionada ao Cosmic Girls, grupo já existente, junto de outras DOZE meninas. Não é a toa que a única a conseguir uma carreira realmente relevante foi a Chung Ha, cuja produtora por trás investiu nela como solista.

Então, não é surpresa o eminente fracasso comercial dessa galera, mesmo com repertórios realmente legais – caso do Gugudan, com Sejeong e Mina, que venceram o programa, e a outra Nayoung, que também não passou despercebida na competição. Se a Jellyfish Entertainment tivesse juntado-as com mais uma ou, no máximo, duas trainees, era capaz delas serem bem grandes e lucrativas hoje em dia. No entanto, a realidade: montaram um girlgroup com NOVE integrantes, sendo seis delas desconhecidas.

O “conceito” por trás é até bacana: cada release é tratado como um “act” teatral, de modo que elas possam explorar possibilidades ad infinitum se calcando nessa desculpa. O debut foi um white aegyo asqueroso inspirado em “A Pequena Sereia”, o primeiro comeback foi uma farofinha engraçada baseada na lenda de Narciso (aquele que se achava gostosão e queria se pegar, aí morreu afogado quando tentou beijar seu próprio reflexo num rio, huahuahua, tosco), no segundo, emularam Red Velvet em “A Fantástica Fábrica de Chocolates”, depois emularam AOA classudo em “Gato de Botas”. Com exceção do debut, nada realmente ruim. Porém, nunca conseguindo avançar do nível ~divertido que entra em playlist, mas não em top de fim de ano~ para ~porra, que bop, não consigo parar de ouvir~.

Bom, isso mudou no mais recente lançamento do grupo, New Action, o act. 5 nessa história toda. Aparentemente, sem se inspirarem em algum conto, filme ou lenda específica, o que parece imperar dessa vez é uma “atitude”. No caso, o pop girlcrush que tinha dado uma sumida nos últimos anos, mas tem recebido novo gás com grupos como BLACKPINK e (G)I-DLE. E na falta de um background que funcione por si só, foram as músicas que chamaram atenção em tal lançamento.

 

 

 

singleNot That Type, é fácil a melhor coisa delas em todos os tempos. Um dancehall que não reinventa a roda, só isso. Redondinho, gostoso de ouvir, viciante, preocupando-se única e exclusivamente em entreter do início ao fim. O videoclipe, em especial, é hipnótico, com as 8 remanescentes do grupo encarnando Solange rebolando num shopping como se não houvesse amanhã. Há algo sobre ATITUDE em tudo isso que é ótimo de assistir. É o tipo de coisa que me pinta à mente instantaneamente quando penso na palavra “girlgroup”. Sinto que saturaram tanto o cenário sul-coreano com a imagem infantiloide do aegyo que vários ouvintes dessa geração devem achar que grupos femininos sempre foram aquele troço chave de cadeia lá. Girlgroups devem inspirar poder em meninas, tal como a atitude do Gugudan aqui.

No resto da tracklist, vemos ainda outros exemplares de canções femininas propicias à batidas de cabelo, carões, andadas em câmera lenta e trecos do tipo. Be Myself é daquelas a mesclar R&B com Hip Hop e sintetizadores eletrônicos que Tinashe adoraria soltar como single (gosto bastante da virada jazzística psicodélica nas estrofes finais dela, são estranhamente sujas de ouvir). Shotgun também é ótima, soando como um híbrido entre o lado “red” do Red Velvet e o repertório da Ciara. Já Do It pesa mais a mão no lado Funk da força, botando a guitarra em maior evidência, deliciosa fazendo fundo para o refrão chiclete repetitivo.

 

 

Infelizmente, as canções mais sóbrias do trabalho, Dear Paster Sweater, acabam não acompanhando o nível de qualidade presente nas demais. A primeira, um R&B açucarado que não chega a ser ruim, mas peca pela “limpeza” instrumental, resultando numa audição estéril demais para ser memorável. A última é até mais interessante, pendendo pro lado disco, mas soa “aguda” demais dentro da proposta do EP.

Mas o gosto que fica na boca é bom em sua maioria. O Gugudan permanece sendo um grupo grande demais para que as meninas atraiam alguma atenção individual capaz de carregá-lo – e esse erro inicial provavelmente o assombrará por toda sua existência. No entanto, com um trabalho como esse “Act. 5” em sua discografia, sinto que seu investimento não foi inútil e que, daqui em diante, esse é um nome cuja minha atenção deve ser focada.

Nota 7,0

 

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5 comentários em “ALBUM REVIEW | Gugudan – Act. 5 New Action (2018)

  1. Desde o lançamento do mini não consigo parar de ouvir Shotgun, que música boa, adoro a mudança repentina dos versos pro refrão.
    Sobre o filme que foi ” representado ” pelo comeback eu vi um comentário uns dois dias atrás de alguém dizendo que ele foi inspirado em Ocean’s 8, mais pra ser sincero eu acho que é mais uma opinião do que fato xD.

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  2. “Infladas pelo spotlight de uma gravadora enorme (JYP, da Somi, ou vocês acham que “Very Very Very” iria para o colo delas sem a queridinha do velho no line up?)”

    Nunca tinha parado pra pensar nisso… Mas enfim, mais um álbum pra ouvir na minha lista e vamos torcer pra que essas meninas hitem. E impressão minha ou Mina emagreceu ainda mais?

    Curtido por 1 pessoa

  3. Lunei, gatinho
    Da uma olhadinha depois nessas gatinhas nugus (que eu acho q foi debut, pq nunca ouvi falar)
    Musiquinha simples, mas tão gostosinha
    Ganhei meu dia com o YouTube recomendando elas

    Curtir

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