TOP 50 | As melhores faixas do K-Pop em 2018 (10ª até 01ª)

E, enfim, chegamos nesse top 10. 2018 foi um ótimo ano pro K-Pop, não? Achei que seria bem meia boca, visto várias baixas de acts grandes nos últimos tempos, mas os rookies na ativa conseguem preencher legal os espaços deixados por seus “irmãos mais velhos”, meio que sustentando o interesse – e atual hype – desse nicho. Com certo louvor, até.

De minha parte, me diverti bastante com vários dos releases soltos nos últimos 12 meses. Alguns ocuparam um espaço maior em minha cabeça que outros. Os 10 abaixo, dito isso, me soam imbatíveis. Logo, foram os escolhidos para ocupar a parte final desse ranking.

Sem mais delongas, quem irá se juntar a “The Boys”, “Sexy Love”, “Wild”, “Red Light”, “Crazy”, “Free Somebody” e “Eclipse” no meu panteão particular de capopes? Vamos descobrir…

Sim, sim, exato, isso aqui é nada mais que uma “4 Walls”, mas cantada por outro grupo que não o F(x). Foi o que pensei ao ouvir “Puzzle Moon” pela primeira vez e é o que continua em minha cabeça todo santo dia quando a repito ad infinitum em todos os players em que ela me está disponível. No entanto, o mais interessante de tudo isso é que, mesmo não tendo 10% da força que sua original carrega (“4 Walls” é um dos maiores bops da história do K-Pop), só essa fração diminuta já é o suficiente para fazer de “Puzzle Moon” uma das músicas mais legais desse ano. O refrão é bom demais, as viradas de expectativa que são montadas ao longo da track são deliciosas e divertidíssimas de ouvir, o MV com as pirralhas do GWSN agindo como assombrações no hotel é uma graça. Nem sei ao certo qual seu ponto alto. Talvez a bridge açucarada? Os versos de rap vindo lá no finzinho? Impossível de escolher. Melhor debut single de um girlgroup em 2018.

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Tenho certeza que todos os girlgroups dessa onda white aegyo recente devem ajoelhar diariamente antes de dormir, pedindo para seus deuses que, quando enfim fizerem sua transição de menininhas-vestidas-de-criança-cantando-porcarias-aguadas-sonolentas para menininhas-creepy-emulando-red-velvet, conseguirem algo tão bom quanto “Love Bomb”. O uso de sintetizadores aqui soa como um amálgama entre as loucuras “gamers” do Yasutaka Nakata no Japão com os histrionismos “mediterrâneos” propositais de DJs/produtores ocidentais, como Skrillex, Diplo e companheiros. Eles já estourando na nossa cara logo de início é delicioso. E quando o pancadão volta ainda mais pesado de surpresa depois da bridge toda fofinha? Fácil a melhor coisa do fromis_9 e de todos esses grupos gerados em survival shows pós-Produce 101.

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O ano foi bem movimentado para HyunA-e-namorado-menos-famoso. Descobriram que eles estavam se pegando, aí eles não quiserem negar, rolou um choque por parte das adolescentes que seguiam o cara no Pentagon, ambos foram demitidos da Cube após muito drama e ameaças de merdas serem jogadas no ventilador caso não chegassem num acordo justo, o passe internacional da HyunA se valorizou por sua postura firme, mas deve ter sido destruído na cena Coreana, o relacionamento do casal virou caso de discussão pública, o barraco todo se estendeu para outros acts da gravadora e por aí vai. Mas, ó, mesmo com todas essas delícias propensas a fofocas que todos adoramos, a real é que o treco mais interessante vindo deles (e do carinha vela avulso lá) foi mesmo… “Retro Future”. Isso aqui é o orgânico encontrando sintetizadores, com afinações, timbragens e levadas que se assemelham muito ao radiofônico daquele período musicalmente prolífico para o Pop, entre o fim dos anos 80 e início dos 90. É meio Michael, é meio Prince (inclusive rolam referências na letra), é meio Janet, é meio Paula. Tudo é muito bem executado e efetivo em produzir aquela onda ~futurista~ do passado, com o plus de, bom, ser feito agora, com uma qualidade maior de gravação. Ooh, como eu amo artistas cuja arte é melhor que seus causos na mídia. Bjokas, HyunA! ;*

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Aproveitando que entrei nisso de final dos 80s e começo dos 90s, além do popão radiofônico dessa época, também curto muito os sons “synthrock” vindos de grupos europeus – sobretudo do Depeche Mode. Isso de produzirem híbridos de melancolia e felicidade em forma de canções, que servem tanto para as pistas, quanto para ouvidas mais intimistas, é fenomenal. O Primary e a Anda conseguiram revisitar isso tão bem em “Moonlight”. Quando ela começa, é como se eu fosse transportado para algum motel alemão, com todo mundo suado e fumando, dias antes do muro de Berlim ser derrubado – basicamente, o cenário de “Atômica”, aquele filme de espião da Charlize Theron. Um hino.

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A Heize consegue em “Didn’t Know Me” algo dificílimo no K-Pop: entregar uma balada que prende, toca e emociona sem se deixar perder em maneirismos entediantes do gênero nesse nicho. Gosto bastante de sua pegada R&B, com o maior destaque no refrão, envolvente, que soa triste e sensual ao mesmo tempo, como se ela encarnasse de fato uma mulher abandonada e decadente, que sabe que o relacionamento vivido foi uma merda, mas não consegue se desvencilhar dos sentimentos projetados pelo término. A parte com a bateria invadindo o silêncio depois do primeiro refrão é linda demais. Toda ela soa como um desses sucessos de antigamente que estariam em uma playlist de madrugada numa Sulamérica Paradiso FM da vida, que é o nível mais alto que consigo mensurar quando penso numa balada desse tipo.

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Bunda. Bumbum. Tabaca. Nádegas. Traseiro. Pataca. Pandeiro. Boró. Butica. Calipígia. Lomba. Casqueiro. Tender. Popozão. Glúteos. O grande lance com “Dally” é que a Hyolyn PODE colocar a raba pra jogo e, ainda assim, entregar um número urban excelente que também funciona sozinho aos ouvidos, despertando vontade de replay na medida que os minutos de sua execução chegam ao fim. E ela DEVE mesmo fazer isso. A carreira solo da ex-Sistar é uma das mais promissoras da atualidade, sempre rendendo singles eficientes com instrumentais que seguram bem sua voz forte, fazendo desses pacotes completos em vez de apenas desculpas esfarrapadas para que ela solte firulas desmedidas ao acaso. Na real, a Hyolyn como um todo é um pacote completo: canta, dança, produz, entende o que quer fazer, a mensagem que quer passar e como o fará. Só falta mesmo a Coreia do Sul perceber isso.

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Olha, eu sei que “Lady” acaba não sendo nada de mais quando ouvida por um pessoal que não tem tanto apresso assim por essa estética visual e sonora dos anos 90. É realmente muito específico para ser apreciado de uma forma mais Pop e casual, talvez até cause estranhamento. Dito isso, para mim, que cresci assistindo Will Smith vestindo essas roupas aí em “Um Maluco no Pedaço”, dançando Sant’N’Pepa, Zhane e trecos do Teddy Riley tocando em bailinhos de bairro e enlouquecendo com JLo emulando isso numa roupagem mais eletrônica nos anos 2000 com Play, só tenho a dizer que o EXID entregou aqui o grande single de girlgroup do ano. Hani e Junghwa bem provocativas com seus timbres fininhos sapecas, LE destruindo tudo e todos com seus versos de rap, a outra lá gritando como se não houvesse amanhã. Bom pra cacete. Melhor música delas desde “UP&DOWN”.

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Tenho certeza absoluta que, daqui uns anos, essa “fórmula” atual adotada por quase toda nova cantora querendo pagar de cool, se juntando com algum DJ que aumente seu passe, pegando canções cujo refrão, na verdade, é um conjunto de melodias sintetizadas mais “para baixo”, “entristecidas”, se tornará algo super datado. Duvido que consigamos escutar, sei lá, alguns trecos da Halsey, da MØ, ou da Zara Larsson, que hoje soam frescos, sem um certo estranhamento causado pela repetição massiva em outra hora. Com isso em mãos, ao menos, a Hyoyeon poderá se gabar de ter soltado a melhor faixa de tal layout. “Sober” pega todos esses maneirismos e usa excelentemente bem, de modo a criar um número emocionante que ganha muito por conta de sua interpretação caracteristicamente bêbada, mais rasgada, suja, mas super emotiva. Não sei se, em, vá lá, 2020, ainda acharei isso, mas “Sober” foi, ao menos durante o período passado em 2018, uma das músicas mais legais que ouvi no K-Pop. O corte de uma geração.

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Será que, daqui umas três décadas, alguém na internet vai descobrir “Lady” através de um algoritmo no eventual site de vídeos da época, com Yubin aparecendo entre os indicados para todo mundo, tal como rolou com a Mariya Takeuchi esse ano? Espero estar lá para ver, acompanhado de robôs empregadas, me movendo por aí através de teletransporte e reclamando que as coisas só prestavam quando eu era mais novo. Ahein. Boa a música, não? E inusitado ver justamente a Yubin, que se vendia tanto como uma super rapper, arrumando encrenca com os outros por causa disso, atuando como algo tão idol. Um inusitado legal, no caso. “Lady” é excelente, em todos os milhares de pontos destacáveis nela. Seja no instrumental city pop, na interpretação vocal mais empostada, na interpretação corporal mais truncada (a cara de cu dela o tempo todo é impagável), no videoclipe hilário característico… Tudo aqui é amarrado corretamente para entregar exatamente o que divas do Pop oriental faziam nos anos 80. E quando a guitarra entra rasgando nos versos finais? Puta merda! Tomara que esse primeiro run não tenha sido fogo de palha da JYP e que, futuramente, tenhamos mais releases do tipo vindos da Yubin. Pra mim, o melhor debut desse ano e a melhor faixa solo já feita por uma ex-Wonder Girls.

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Vocês não leram errado não. Sim, é um boygroup no topo de um ranking meu. Que coisa, não? Pois é, nada dentro do K-Pop esse ano, em minha humilde opinião, conseguiu superar o sentimentalismo macabro do SHINee em “Good Evening”. Há uma dualidade em sua letra que permite uma dupla interpretação. Pode ser entendida de maneira romântica, com um eu lírico desejando viver ao máximo os momentos com sua parceira, ou como uma homenagem ao saudoso Jonghyun, já que as falas podem ser adaptadas para um contexto mórbido, como se fossem versos numa carta de adeus ao colega de grupo. (“Eu estou chegando, antes que a escuridão venha te buscar”, “Minha respiração curta me aproxima de você”). A escolha fica a cargo do ouvinte. Só que tudo ganha uma proporção ainda maior por os produtores optarem em utilizar um instrumental dançante, fugindo totalmente dos estereótipos de “faixa de despedida” esperáveis. É tudo tão pra cima, tão vibrante, colorido, cintilante. Arrepiante. O resultado é, huh, agridoce. Eufórico, mas melancólico. O refrão em especial é TÃO BONITO, com uma melodia TÃO IMPACTANTE. Enfim, song of the year

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[50-38] [37-26] [25-11]

Fizeram uma playlist no spotify, uhul…

E, Brasil… Foi isso aí que rolou de melhor em termos capopeiros no ano de 2018. Concordam? Discordam? Digam nos comentários. Compartilhem também as suas favoritas de tal ano, assim poderei rir de seus respectivos péssimos gostos musicais, tal como vocês fazem comigo.

E caso vocês tenham chegado aqui por meio de algum link divulgado em grupos de Facebook ou Twitter e gostem de descobrir sobre canções mais antigas dentro desse nicho, saibam que vários outros posts especiais relembrando lançamentos de outros anos já rolaram nesse blog. Vocês podem conferir eles em formato de tops para 201120122013201420152016 e 2017, ou em formato de playlist para 200020012002200320042005 e 2006.

Último post do blog amanhã, hein.

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16 comentários em “TOP 50 | As melhores faixas do K-Pop em 2018 (10ª até 01ª)

  1. Engraçado, eu sou orbit, ficaria super feliz se o LOONA estivesse no top 10… mas não posso me queixar do GWSN e do flopis_9 posicionarem bem na sua lista, porque as músicas delas realmente são muito boas. Aliás, desde que comecei a acompanhar k-pop (tá que não faz tantos anos assim, mas isso não vem ao caso), parece que 2018 teve uma das melhores safras de girlgroups rookies já vistas. Pra fãs radicais isso poderia ser um problema, tendo que desmerecer os outros grupos pra enaltecer suas favoritas; pra mim, isso é maravilhoso, porque significa que tem mais músicas ótimas sendo lançadas (acho que chega uma idade em que a gente desencana de rixas e comparações e começa a curtir as músicas sem se preocupar com quem tá lançando elas).

    Inclusive, meu comentário pode parecer hipócrita por chamar as fromis_9 constantemente de flopis_9, então deixa eu esclarecer aqui: esse é um apelido carinhoso e que não tem a ver com o desempenho comercial do grupo, é só porque não dava pra perder o trocadilho de “fromis” (quem na Mnet achou que isso era um bom nome??) e “flopis”. Inclusive acho a caçula delas lindíssima e morri de rir vendo o programa de variedades que elas dividiram com o LOONA.

    Quanto à Yubin, seria ótimo se o “efeito Mariya Takeuchi” acontecesse daqui a uns anos. Mas apesar de Lady não ter sido um grande hit, também não foi exatamente um flop, e sim uma música de sucesso moderado. Agora é torcer pro JYP continuar dando bons comebacks pra ela, e se possível pra ela lançar umas mixtapes de rap entre um EP retrô e outro, porque ela é uma rapper maravilhosa demais.

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  2. Retro Future é pra mim uma das que você classifica como: a música é boa pra caralho, mas eu não ouvi.

    2018 com certeza se tornou um dos melhores anos pro kpop.

    Meu top 15:

    1 -Butterfly – Weki Meki
    2 – Lady – Yubin
    3 – Gravity – EXO
    4 – Good Evening – SHINee
    5 – VeryVery – Momoland
    6 – Power UP – Red Velvet
    7 – Siren – Sunmi
    8 – Thank U So Much – Yubin
    9 – BAAM – Momoland
    10 – Seventeen – MOONWALKER
    11 – Lady – EXID
    12 – Lil Touch – SNSD
    13 – Blue Moon – Gyuri
    14 – Iron Boy – Weki Meki
    15 – Hit That Drum – Red Velvet

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  3. Pinocchio pisa nessa Love Bomb mas vocês ignoraram essa maravilha em forma de música
    E a coreografia é uma gracinha
    Merecia um MV de 10 reais como Freeze das Momolendas

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  4. Thank U So Much é bem melhor que Lady e qualquer coisa do Triple H no top 10, ainda mais no ano que tivemos com váááriosss bops é lamentável.
    Deja Vu (NU’EST), Bam e Boom Boom (Momoland), Oh My Mistake (April), Shine (Pentagon), Remember Me (Oh My Girl) são exemplos de bops maraviwonderful que eu espera encontrar bem posicionados aqui, além de Siren (Sunmi). Até Ikon conseguiu acertar com Love Scenario.

    Curtido por 1 pessoa

  5. Dizer que eu fiquei surpresa com a balada da Heize, Sober e Dally tão altas assim no top é eufemismo … Mas Love bomb, as duas Lady e Pluzze Moon estão ai, e acima de tudo SHINee e isso é só o que importa… 🙂

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